domingo, 1 de novembro de 2009

Escuta aqui


Ei menina, senta aqui, escuta, para de falar um pouco. Olha para mim. Oi. Eu quero passar o resto da vida com você. Sim. Não me olha com essa cara, eu não sou louco, escuta. Eu quero ser o personagem principal dessa história de cinema que você criou para a sua vida. Quero que você seja a pessoa mais feliz do mundo do meu lado, a mais pele boa e sorriso todas as manhãs, a mais “eu tô ótima e você?” Não, para. Nem vem com essa história de que a gente é comum, que tem brigas de casal de classe média, que você precisa de mais. Você não percebe? A gente já tem mais. Eu te amo como nunca achei que fosse amar na vida. E você, você consegue ficar tranquila do meu lado. Menina, você não percebe? A gente já tem tudo. Me deixa ficar que eu quero estar aqui quando você disser alguma coisa ridícula e rir de si mesma em seguida. Que eu quero saber de tudo que você conseguiu aprender em um dia só porque ficou fissurada em um tema que leu em algum lugar ou viu num filme, e passou a tarde lendo sobre aquilo quando devia estar trabalhando. Eu quero ouvir seus planos detalhados para os próximos dez anos e fazer tudo direitinho, só para ver seu sorriso de menina que não sabe o que dizer. Quero passar horas conversando sobre os nossos filhos e torcer sempre para que ela seja igualzinha a você. Eu vou estar por perto toda vez que você me olhar com aqueles olhos de choro, de quem precisa que eu não diga nada. E vou receber cada sorriso seu com um ainda maior. Eu quero ficar porque já esqueci o caminho de casa. Porque quero passar o resto da vida com você, e não olhando para trás.

Movimento

A vida de jornalista louca e dois blogs para atualizar --sendo um com compromisso semanal inadiável-- fez com que este espaço ficasse um pouco deixado de lado. Não que eu possa prometer uma atualização diária ou com alguma periodicidade fixa, mas digamos que tentarei postar ao menos um texto e um poema para compartilhar por semana. Vamos lá, minha-nossa-senhora-dos-dias-com-mais-de-24-horas, vamos dar uma ajudinha vai?

domingo, 4 de outubro de 2009

Amores

Acordou às 6h da manhã de um domingo. "Crueldade", pensou, querendo criar uma lei que diga que as pessoas só podem sair da cama depois das 10h. Especialmente aos domingos. Foi alguma coisa que ele disse que a fez pensar em um episódio do seriado preferido. "Quantos grandes amores uma pessoa pode ter na vida?" Levantaram a possibilidade de dois. Dois é suficiente? Ou é demais? Como é que a gente sabe, depois que acabou, que aquilo foi amor? O amor verdadeiro dura mesmo para sempre? Então, se o sentimento termina, não foi amor? Mas e se o sentimento não acaba nunca, como é que faz? Melhor esquecer e correr o risco de não ter amado ou amar e correr o risco de não esquecer nunca mais? "Nossa, é tão difícil. Queria que fosse mais fácil, como com a minha mãe e meu pai", ela disse, com ar infantil e os olhos querendo encher. Mas são sete da manhã e, nesse momento, tem sido muito fácil. "Bom, eu acho que eu só vou saber quando for bem velhinha e já tiver vivido muito mais. Aí eu escrevo um livro sobre isso." Ele sorriu, dando a impressão de achar a ideia engraçada, mas doce. E aquele sorriso era toda a calma de que ela precisava.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Esconderijo



"Procuro a solidão
Como o ar procura o chão
Como a chuva só desmancha
pensamento sem razão

Procuro esconderijo
encontro um novo abrigo
como a arte do seu jeito
e tudo faz sentido

Calma pra contar nos dedos
beijo pra ficar aqui
teto para desabar
você para construir..."

Ana Cañas

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Escolha


"Apesar do medo
escolho a ousadia.
Ao conforto das algemas, prefiro
a dura liberdade.
Voo com meu par de asas tortas,
sem o tédio da comprovação.

Opto pela loucura, com um grão
de realidade:
meu ímpeto explode o ponto,
arqueia a linha, traça contornos
para os romper.

Desculpem, mas devo dizer:
eu quero o delírio."

Lya Luft

sábado, 22 de agosto de 2009

Preferidas ou sobre mim em 22 de agosto


Meu top 10 hoje, às 20h45:

- calor (odeio São Paulo fria)
- jornalismo (reaprendi a amar)
- sorvete de doce de leite
- Emile Hirsch
- tardes de sábado e amigos, de preferência juntos
- almoços familiares de domingo
- cinema
- Cat Power
- vestido xadrez
- a serenidade de tudo que é simples

"Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho."
Clarice Lispector

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Chan Marshall wannabe


Desde o show da Cat Power eu queria escrever sobre ela aqui. O show foi lindo, queria ser Chan quando crescer. Linda, linda, linda. E com uma voz incrível! A minha preferida dela é, na verdade, uma versão: Don't Explain, da Billie Holiday, que, para mim, é uma das músicas mais tristes da história.

Billie escreveu a música para o ex-marido, Jimmy Monroe, que a estava traindo e chegou em casa com batom no rosto. "É uma canção que eu não poderia cantar sem senti-la a cada minuto. Ainda não consigo. Muitas grã-finas me disseram que desabam toda vez que ouvem a canção. Acredito que se alguém merece crédito por ela é Jimmy. E os outros que continuam chegando em casa com marcas de batom no rosto."

Apesar de não combinar em nada com o meu estado de espírito eufórico neste momento, não consigo deixar de ouvir praticamente todos os dias. Aí vai a versão da Chan, que é diferente da original mas igualmente linda:

Hush now, don't explain
You're the cause of all my
Trouble and pain
Unless you're mad
Don't explain

My love, my love, my love
Don't explain
There is nothing within me now to gain
You know that I love you
Look at what loving has done
All my thoughts were real
And so sincere
I was so completely yours

You know I hear folks cha-cha-cha-chatter
And I know you cheat
Right or wrong, that don't matter
You're here with me
Sit down, have a sit
It's your time to feel the pain
It's your time to weep
Don't explain

Hush now, don't explain
There is nothing within me now to gain
I'm gonna skip it instead
Don't explain
Don't explain


E clique aqui para ouvir.